Experimentando a PBL em sala: uma experiência na disciplina de Empreendedorismo Digital

Após a aula da última segunda-feira na disciplina Tecnologias Digitais em Ensino, fiquei refletindo sobre a forma como o professor Fernando conduz a metodologia PBL) m sala. A maneira como os problemas são apresentados e discutidos em grupo provoca um movimento interessante de construção coletiva do conhecimento.

Inspirado por essa dinâmica, resolvi dedicar um tempo ao longo da semana para aprofundar um pouco mais meus estudos sobre a metodologia. Fiz a busca de alguns trabalhos que discutem o uso da PBL na educação profissional e na formação empreendedora, como o estudo de Rodrigues (2016), que analisa a aplicação da metodologia em cursos técnicos, e o artigo de Gomes, Paiva Júnior e Silva (2025), que aborda a integração da aprendizagem baseada em problemas com outras metodologias ativas no ensino de empreendedorismo.

Também consultei um material disponibilizado pelo professor durante a disciplina, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina, que apresenta os fundamentos da Aprendizagem Baseada em Problemas e destaca que, nessa abordagem, o problema funciona como elemento central do processo de aprendizagem, estimulando a investigação, a formulação de hipóteses e a definição de objetivos de estudo pelos próprios estudantes (Universidade Estadual de Londrina, s.d.). Essas leituras ajudaram a reforçar minha compreensão sobre o potencial da PBL para aproximar teoria e prática no processo de aprendizagem.

Decidi então fazer um pequeno experimento em uma das minhas turmas do curso técnico integrado em Logística do IFAL, na disciplina de Empreendedorismo e Inovação.

Minha aula normalmente é organizada buscando equilibrar momentos de teoria e prática, justamente para manter os estudantes mais engajados. Em um encontro de aproximadamente 1h40, costumamos dedicar metade do tempo à discussão conceitual e a outra metade a atividades práticas, muitas vezes utilizando tecnologias digitais compartilhadas para desenvolver exercícios que ajudem a fixar os conteúdos trabalhados.

Apesar de já ter utilizado elementos da metodologia PBL em outras atividades com os estudantes, percebi que ainda não havia estruturado uma aula inspirada na forma como essa metodologia vem sendo trabalhada na disciplina de TDE, conforme estou vivenciando na disciplina.

Fiz as adaptações e organizei os estudantes em grupos e conversamos brevemente sobre a temática da aula. Em seguida apresentei o problema central da atividade: cada equipe deveria ler um pequeno texto que disponibilizei e  identificar um problema real existente em sua própria comunidade.


   

        Durante 15 minutos, os grupos deveriam discutir e destrinchar esse problema, buscando compreender melhor suas causas, impactos e quem era afetado por ele. Esse momento foi muito interessante, pois os estudantes começaram a compartilhar experiências pessoais e situações que observam em seu cotidiano.




        

Após essa etapa, iniciamos o processo de ideação e proposição de soluções, conectando o problema identificado aos conteúdos da disciplina. Os estudantes precisavam desenvolver uma proposta de valor que pudesse contribuir para a solução do problema levantado.

Na sequência, eles deveriam relacionar essa proposta aos conceitos trabalhados anteriormente na disciplina, como:

·               tipo de inovação presente na ideia;

·               definição do público-alvo;

·               e a justificativa de por que aquela proposta poderia ser considerada inovadora.




Ao final, cada grupo teve três minutos para apresentar sua proposta, explicando o problema identificado, a solução pensada e como os conceitos estudados estavam presentes em sua ideia.



        

 Depois das apresentações, fizemos um momento de conversa coletiva em que cada equipe comentou brevemente sua experiência durante a atividade. Nesse momento, procurei retomar e reforçar alguns conceitos discutidos nas aulas anteriores, mostrando como eles estavam presentes nas ideias desenvolvidas pelos próprios estudantes.

A experiência foi extremamente positiva. Percebi que os alunos ficaram um pouco nervosos mas, mais soltos, participativos e envolvidos com a atividade. Em vários momentos eles próprios reconheceram que os conceitos trabalhados nas aulas estavam ali, guardados em suas memórias, e que conseguiram mobilizá-los quando precisaram pensar em soluções para um problema real.


Esse pequeno experimento reforçou para mim algo que temos discutido bastante nas aulas do doutorado: quando o estudante é colocado diante de um problema significativo, a aprendizagem tende a acontecer de forma muito mais ativa e conectada à realidade.


Referências


  • RODRIGUES, Glaucemária da Silva. Análise do uso da metodologia ativa Problem Based Learning (PBL) na educação profissional. Outras Palavras, [S. l.], v. 12, n. 2, 2016.
  • GOMES, Jardiel de Moura; PAIVA JÚNIOR, Fernando Gomes de; SILVA, Ítalo da. Educação para o empreendedorismo na transformação digital: integrando as metodologias ativas de gamificação e aprendizagem baseada em problemas. Revista Políticas Públicas & Cidades, [S. l.], v. 14, n. 1, p. e1489, 2025.
  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA. Metodologia da aprendizagem baseada em problemas. Londrina: UEL, [s. d.]. Disponível em: http://lagarto.ufs.br/uploads/content_attach/path/11327/metodologia_da_abp_0.pdf. Acesso em: 13 mar. 2026. 

Comentários

  1. Olá Ricardo. O que aprendeu na última aula? E como a produção deste infográfico lhe ajudou a aprender mais sobre o tema? O que está aprendendo lhe ajuda a repensar a sala de aula?

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    1. Olá, professor!

      Na última aula, percebi com mais clareza que usar tecnologia na educação não significa, automaticamente, inovar. As leituras e discussões mostraram que a inovação acontece quando as tecnologias realmente provocam mudanças nas formas de ensinar e aprender, e não apenas quando passam a ser usadas como ferramentas para fazer as mesmas coisas de antes.
      Sobre o infográfico, durante a leitura dos textos fiz minhas anotações e em seguida precisei organizar e sintetizar as ideias principais, além de perceber melhor como os autores dialogam entre si. E o infográfico acaba sendo um facilitador para "guardar" mais o assunto, ao transformar a leitura em uma representação visual.

      Essas atividades e leituras, também me fazem repensar minha própria atuação em sala de aula. Fico refletindo que o desafio não é apenas inserir tecnologias nas aulas, mas pensar em estratégias que realmente envolvam mais os estudantes, promovam participação e construção do conhecimento. Com isso, a discussão sobre inovação educacional acaba sendo também um convite para revisitar nossas próprias práticas docentes.

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