Postagens

Trabalho, técnica e aprendizagem: aproximações entre Álvaro Vieira Pinto e Pierre Lévy

Imagem
            A leitura do Capítulo XV de Álvaro Vieira Pinto reforçou, para mim, que tecnologia não pode ser entendida como simples ferramenta, nem como algo neutro e universal. Ela é produção histórica, social e humana, inseparável do trabalho, das condições concretas de existência e das disputas presentes em cada sociedade. Na minha postagem desta semana, quis destacar alguns pontos dessa leitura que venho fazendo, especialmente as aproximações e tensões que encontrei entre Vieira Pinto e Pierre Lévy, além das contribuições que esse debate traz para pensar aprendizagem, educação contemporânea e minha própria pesquisa. O primeiro ponto que me chamou atenção foi justamente a maneira como Vieira Pinto desmonta a ideia de tecnologia como algo universal e neutro. Em sua perspectiva, a técnica não existe fora da história, nem acima da sociedade. Ela não pode ser compreendida como um objeto abstrato, disponível da mesma forma para todos, porque é...

Dispositivos móveis, educação e infância: reflexões entre a teoria e a vivência

Imagem
            Olá pessoal!!!! Durante a semana estudei os textos selecionados, e compreendi que a aprendizagem móvel não se resume ao simples uso de celulares, tablets ou outros dispositivos em sala de aula. Mais do que inserir tecnologias no cotidiano escolar, trata-se de repensar as formas de ensinar e aprender em uma cultura marcada pela conectividade, pela circulação rápida de informações e pela presença constante das mídias digitais. Os estudos de Santos e Porto (2019) mostram que a mobilidade amplia o espaço-tempo da aprendizagem, permitindo que o estudante acesse conteúdos, interaja e produza conhecimento em diferentes contextos, para além da sala de aula tradicional. Outro aprendizado importante foi perceber que os dispositivos móveis possuem grande potencial pedagógico, mas esse potencial não se realiza de forma automática. Os estudos de Santos et al. (2016) e Sonego e Behar (2019) indicam que esses recursos podem favorecer autonomia, colabora...

Acolhimento, partilhas e aprendizagens

Imagem
A aula desta semana começou de um jeito muito especial. Antes mesmo de entrarmos propriamente nos conteúdos da disciplina, tivemos um momento de conversa e reflexão sobre a Páscoa. Foi muito bom ouvir o professor e os colegas nesse início. Eu, particularmente, estava mais quieto, ainda cansado do feriado, me recuperando de uma virose e também lidando com meus filhos doentes. Então começar a aula daquela forma, mais acolhedora e sensível, me ajudou bastante a me reorganizar e entrar no ritmo. Depois disso, seguimos conversando sobre a nossa trajetória no doutorado, retomando aspectos da autoavaliação que fizemos. Foi um momento importante, porque nos fez pensar no caminho que já percorremos, nas mudanças que esse processo tem provocado em nós e em tudo o que ainda estamos construindo enquanto doutorandos. Em seguida, tivemos o momento do “amigo doce”, com troca de chocolates, conversas, sorrisos e gestos de carinho. Como sou uma pessoa mais introvertida, essas dinâmicas sempre me de...

No meio do caminho, um novo olhar: autoavaliação na disciplina Tecnologias Digitais no Ensino

Imagem
  Quando iniciei o doutorado, uma das minhas maiores dúvidas era justamente compreender como seria, na prática, viver essa experiência. Havia expectativa, entusiasmo, mas também muitas incertezas. Nesse sentido, a primeira aula da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino foi muito marcante para mim, porque ela acabou ditando o ritmo do que eu começava a entender como formação em nível de doutorado e, de certo modo, antecipando o que talvez eu viva ao longo desses quatro anos. E isso foi algo muito positivo. O professor Fernando me apresentou uma forma diferente de sala de aula, de condução das discussões e de relação com o conhecimento. Foram muitas leituras logo no início, o que exigiu de mim mudança de postura, organização e disposição real para entrar no ritmo da disciplina. Eu me desafiei. Tentei não permitir que a rotina, as demandas do dia a dia e o cansaço me afastassem daquilo que eu desejo construir no doutorado. Hoje, consigo visualizar melhor onde quero chegar, embora ...

Tecnologias digitais e ensino no Brasil: percursos históricos

Imagem
Os textos trabalhados serviram como base para a elaboração da linha do tempo solicitada na disciplina, pois permitiram acompanhar, em diferentes momentos históricos, como a relação entre tecnologias digitais e ensino foi sendo construída no Brasil e, mais recentemente, tensionada pela emergência da inteligência artificial. A partir dessas leituras, foi possível identificar não apenas políticas, programas e marcos relevantes, mas também as promessas recorrentes e os limites que atravessam esse percurso. Os textos mostram que a relação entre tecnologias digitais e ensino no Brasil foi sendo construída em etapas, sempre cercada por expectativas de inovação, mas também por problemas que se repetem ao longo do tempo. Entre 1984 e 1986 , com iniciativas como o EDUCOM e o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação , surgiu a expectativa de formar professores, pesquisadores e consolidar uma cultura de informática educativa nas instituições de ensino. No entanto, como apontam Vale...

O castelo de cartas, a teoria e a tese

Imagem
                 A aula desta semana da disciplina de Tecnologias Digitais começou com uma dinâmica em grupo: montar um castelo de cartas. No início, a dinâmica já se mostrava bastante significativa. Mas, à medida que tentávamos montar a estrutura e víamos o castelo desmoronar, fui percebendo que ela carregava uma reflexão ainda mais profunda. Construir o castelo não dependia só de vontade. Exigia estratégia, interação, paciência, organização e, acima de tudo, uma base bem feita. Ao final da dinâmica, retomamos elementos da semana passada: a importância da interação entre os pares, o quanto conhecer melhor a estrutura ou algumas técnicas poderia ter ajudado e como as atividades compartilhadas fortalecem o processo de construção. No fundo, o castelo de cartas acabou simbolizando algo que fez muito sentido para mim: a tecnologia pode ajudar, pode ampliar caminhos, pode até acelerar processos, mas sem base teórica tudo fica instável. A ...

Mapeando causas da implementação instrumental das tecnologias digitais

Imagem
A partir das leituras de Koehler, Mishra e Cain (2013), Puentedura (2010), Siemens (2005), Laurillard (2002), Pimentel (2013), Pimentel e Carvalho (2020) e Lévy (1999), foi possível aprofundar a discussão sobre o tópico “implementação instrumental das tecnologias digitais”. Em linhas gerais, essa tópico se refere ao uso das tecnologias apenas como suporte para disponibilizar arquivos, slides ou vídeos, sem que isso provoque mudanças reais nas práticas pedagógicas ou na forma como a aprendizagem é concebida. Quando isso acontece, o que se vê é a reprodução de um ensino ainda muito centrado na transmissão de conteúdos, mantendo os estudantes em uma posição mais passiva e reduzindo a tecnologia a uma função meramente técnica. Nesse debate, os modelos TPACK e SAMR ajudam a mostrar que uma integração mais significativa das tecnologias exige mais do que domínio de ferramentas. Ela pressupõe articulação entre conhecimento do conteúdo, das estratégias pedagógicas e das possibilidades tecnológ...