Mapeando causas da implementação instrumental das tecnologias digitais
A partir das leituras de Koehler, Mishra e Cain (2013), Puentedura (2010), Siemens (2005), Laurillard (2002), Pimentel (2013), Pimentel e Carvalho (2020) e Lévy (1999), foi possível aprofundar a discussão sobre o tópico “implementação instrumental das tecnologias digitais”.
Em linhas gerais, essa tópico se refere ao uso das tecnologias apenas como suporte para disponibilizar arquivos, slides ou vídeos, sem que isso provoque mudanças reais nas práticas pedagógicas ou na forma como a aprendizagem é concebida. Quando isso acontece, o que se vê é a reprodução de um ensino ainda muito centrado na transmissão de conteúdos, mantendo os estudantes em uma posição mais passiva e reduzindo a tecnologia a uma função meramente técnica.
Nesse debate, os modelos TPACK e SAMR ajudam a mostrar que uma integração mais significativa das tecnologias exige mais do que domínio de ferramentas. Ela pressupõe articulação entre conhecimento do conteúdo, das estratégias pedagógicas e das possibilidades tecnológicas, além da intenção de redesenhar atividades de aprendizagem de forma mais profunda e significativa. Sob essa perspectiva, a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a compor, de fato, a construção da experiência educativa.
Ao mesmo tempo, autores como Siemens e Laurillard contribuem com fundamentos importantes ao defenderem perspectivas baseadas em conexão, diálogo e interação. Essa compreensão também aparece em Pimentel e em Pimentel e Carvalho, ao discutirem a importância de práticas on-line que não sejam nem massivas nem cansativas, mas que favoreçam participação, mediação e engajamento. Lévy (1999) amplia ainda mais esse olhar ao compreender a cibercultura como um espaço de inteligência coletiva, colaboração e produção compartilhada de sentidos, e não apenas como um ambiente de armazenamento de informações.
Foi com base nesse conjunto de referências que se construiu o diagrama de Ishikawa, organizado em seis eixos:
- Docentes,
- Estudantes,
- Tecnologias digitais e infraestrutura,
- Currículo e metodologias, gestão e cultura organizacional, e
- Avaliação para a aprendizagem.
- Gestão e Cultura Organizacional
Referências Utilizadas
KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.
SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005. Disponível em: https://auspace.athabascau.ca/bitstream/handle/2149/2867/Connectivism%20-%20Connecting%20with%20George%20Siemens.pdf.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).
PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. Uma visão múltipla da interação em direção à tutoria. In: ______. Interação on-line: um desafio da tutoria. Maceió: Edufal, 2013. cap. 1, p. 23-49.
PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, 23 maio 2020. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/principios-educacao-online/.
Bibliografia Complementar
LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.
PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.
DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.
VALENTE, José Armando. Mudanças na sociedade, mudanças na educação: o fazer e o compreender. In: O computador na sociedade do conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.
Olá Ricardo, em que medida a elaboração do diagrama permitiu você aprofundar (ou não) o problema? Conseguiu identificar que teorias fundamentam a incorporação de tecnologias no ensino?
ResponderExcluirOlá, professor!!
ExcluirA construção do diagrama me ajudou a aprofundar o problema, porque tornou mais visíveis as diferentes causas que sustentam a implementação instrumental das tecnologias digitais.
Quando organizei o problema em eixos, percebi que ele não está ligado apenas ao uso das ferramentas, mas também a questões pedagógicas, curriculares e institucionais. Isso ampliou minha compreensão e deixou mais claro como essas dimensões se articulam.
E Sim, também consegui identificar teorias que fundamentam a incorporação de tecnologias no ensino. O TPACK e o SAMR mostram que essa integração exige intencionalidade pedagógica e reorganização das práticas de aprendizagem (KOEHLER; MISHRA; CAIN, 2013; PUENTEDURA, 2010). Já Siemens (2005), Laurillard (2002) e Lévy (1999) ajudam a compreender a tecnologia como mediação, interação e construção coletiva do conhecimento.
Como você bem pontuou citando Lévy, a tecnologia deve ser o espaço da inteligência coletiva e não apenas um repositório.
ResponderExcluirIsso mesmo, Diogo.
ExcluirQuando Lévy (1999) fala em inteligência coletiva, entendo justamente esse potencial da tecnologia de aproximar pessoas, trocas e construções conjuntas. Quando ela vira apenas um lugar para guardar arquivos, muita coisa se perde (pelo menos eu acho).
O grande desafio é fazer com que ela realmente contribua para uma aprendizagem mais viva e significativa.
Olá, Ricardo! Excelente reflexão. A discussão sobre a implementação instrumental é extremamente atual e necessária. Como você bem pontuou, é muito comum observarmos as tecnologias sendo utilizadas apenas como um repositório, reproduzindo práticas transmissivas sem de fato promover o engajamento ou o letramento digital.
ResponderExcluirA articulação teórica que você fez com os modelos TPACK e SAMR, além da visão do Lévy sobre cibercultura, fundamenta muito bem a necessidade de superarmos esse uso raso. Ao mapear as subcausas dessa implementação instrumental na sua análise, fica ainda mais claro o quanto precisamos ressignificar o uso desses artefatos tecnológicos, passando a integrá-los de forma verdadeiramente pedagógica, interativa e colaborativa.
Olá Débora!!
ExcluirMuito obrigado pelo seu comentário!!
O diagrama me ajudou justamente a enxergar melhor essas causas que, no dia a dia, acabam passando despercebidas.
Concordo com você que esse uso mais raso das tecnologias ainda é muito presente e precisa ser repensado. Seu comentário reforça muito essa ideia de que precisamos dar mais sentido pedagógico a esses recursos. Seguimos refletindo e aprendendo com essas discussões.