Primeiro esvaziar o copo, depois definir Tecnologia
Minha jornada como estudante e pesquisador do Doutorado na disciplina de Tecnologias Digitais em Ensino teve início hoje. Confesso que eu estava com grande expectativa, tanto pela temática da disciplina quanto pela condução do Prof. Dr. Fernando Pimentel.
Iniciamos com uma dinâmica simples, onde ouvimos sobre os projetos de pesquisa dos colegas, suas formações e sobre o que desejam alcançar com a disciplina. Em seguida, o professor nos colocou em movimento: “todos de pé”, “formem grupos”, “troquem contatos”, “tirem fotos”, “compartilhem uma curiosidade”. Achei aquele momento muito maior do que "quebrar o gelo", a proposta parecia querer mudar nossa postura passiva (de primeira aula) e nos inserir em uma lógica de rede e colaboração. Foi ótimo!
Depois disso, ele nos apresentou a Parábola do Copo Vazio, para mostrar que podemos ser estudantes dispostos a esvaziar certezas. Não importa a bagagem acumulada ou as experiências, se o copo está cheio, nada novo cabe. A mais pura verdade!
Na sequência, apresentou a dinâmica da disciplina e explicou como a metodologia PBL guiará os encontros semanais. Formamos nosso primeiro grupo e fomos provocados com o primeiro problema: “O que é tecnologia?”
Tivemos uma hora para ler o texto, discutir, aprofundar, elaborar três questões e em seguida apresentar. O tempo passou rápido. Muito rápido. Quanto mais discutíamos, mais percebíamos que a pergunta inicial se desdobrava em outras camadas: tecnologia como instrumento? como processo? como artefato cultural? Muitas palavras chaves no quadro.
Durante as apresentações, o professor articulava nossas falas com os conceitos trabalhados no Capítulo IV do livro "Conceito de Tecnologia" do autor Álvaro Vieira Pinto. Técnica como procedimentos. Tecnologia como o estudo dos procedimentos. Uma tecnologia que transforma o mundo, mas que também é transformada por ele. Eu prestava atenção aos detalhes, às falas dos colegas, às conexões conceituais que iam sendo construídas. Participava, tinha dúvidas, anotava e revisava mentalmente minhas próprias ideias. Estava, de fato, imerso.
A segunda-feira se encerrou, mas o pensamento não. Voltei para casa sabendo que preciso revisar o capítulo, estudar outros, fazer novas anotações, reler trechos com mais cuidado. Entrando no ritmo do doutorado, sabendo que tenho muito a aprender, mas também disposto a contribuir com aquilo que venho construindo ao longo da minha trajetória.
Olá Ricardo! Seu relato transmite entusiasmo intelectual e verdadeira imersão no processo formativo. É bonito perceber como você captou que a dinâmica inicial não era apenas uma “quebra de gelo”, mas uma ruptura com a postura passiva e um convite concreto à lógica de rede, colaboração e protagonismo. A forma como você descreve a discussão sobre tecnologia — transitando entre instrumento, processo e artefato cultural — revela envolvimento conceitual e disposição genuína para aprofundar, revisitar leituras e tensionar suas próprias ideias. Esse é o espírito investigativo que sustenta o doutorado.
ResponderExcluirPara ampliar ainda mais essa construção, vale a pena visitar os blogs dos colegas, ler atentamente as reflexões deles e comentar de forma crítica e dialógica. Ao entrar em contato com outras interpretações sobre a parábola do copo vazio, a PBL ou o conceito de tecnologia, novas camadas podem emergir e enriquecer sua própria compreensão.
E deixo uma provocação para seguir pensando: se a tecnologia transforma o mundo e também é transformada por ele, de que maneira sua própria pesquisa pode intervir nessa relação — você pretende apenas analisá-la ou também tensioná-la e transformá-la?
Olá, professor!
ExcluirAgradeço pelo comentário!
Nesse início de doutorado tenho percebido que o projeto que eu havia estruturado inicialmente ficou um pouco amplo e, talvez, ainda pouco focalizado. As discussões das disciplinas têm me ajudado justamente a repensar isso com mais calma.
A provocação que o senhor trouxe toca exatamente nesse ponto: não quero que a pesquisa se limite apenas a analisar como a tecnologia está sendo utilizada. Meu interesse é compreender essas relações, mas também problematizá-las.
Por exemplo, no contexto do meu projeto, que parte da proposta de desenvolver e validar um modelo integrador de práticas curriculares com tecnologias inovadoras, o Espaço 4.0 do IFAL Campus Benedito Bentes aparece como um ambiente de experimentação pedagógica e inovação onde essas práticas podem ser testadas e analisadas.
Ou seja, penso que a intervenção da pesquisa pode acontecer justamente na construção e experimentação dessas práticas que tirem a tecnologia do lugar de simples ferramenta ou novidade e a coloquem como uma forma ou objeto de reflexão, criação e produção de conhecimento dentro das disciplinas.
Ainda estou organizando melhor as ideias.