Dispositivos móveis, educação e infância: reflexões entre a teoria e a vivência

 


        Olá pessoal!!!! Durante a semana estudei os textos selecionados, e compreendi que a aprendizagem móvel não se resume ao simples uso de celulares, tablets ou outros dispositivos em sala de aula. Mais do que inserir tecnologias no cotidiano escolar, trata-se de repensar as formas de ensinar e aprender em uma cultura marcada pela conectividade, pela circulação rápida de informações e pela presença constante das mídias digitais. Os estudos de Santos e Porto (2019) mostram que a mobilidade amplia o espaço-tempo da aprendizagem, permitindo que o estudante acesse conteúdos, interaja e produza conhecimento em diferentes contextos, para além da sala de aula tradicional.

Outro aprendizado importante foi perceber que os dispositivos móveis possuem grande potencial pedagógico, mas esse potencial não se realiza de forma automática. Os estudos de Santos et al. (2016) e Sonego e Behar (2019) indicam que esses recursos podem favorecer autonomia, colaboração, engajamento e participação ativa dos estudantes. No entanto, também ficou evidente que o uso pedagógico precisa ser intencional, planejado e mediado pelo professor. Sem essa mediação, o dispositivo corre o risco de ser apenas um suporte de entretenimento ou um elemento de dispersão, sem contribuir efetivamente para uma aprendizagem significativa.

Também aprendi, a partir do texto de Bernardo e Karwoski (2017), que a relação dos estudantes com a leitura em dispositivos móveis exige atenção. Embora as telas facilitem o acesso rápido à informação, elas também podem provocar uma leitura mais fragmentada, superficial e cansativa, especialmente quando se trata de textos longos. Isso me levou a compreender que o uso pedagógico dos dispositivos digitais precisa considerar não apenas entusiasmo e inovação, mas também limites cognitivos, condições de leitura, objetivos didáticos e características da atividade proposta.

Além disso, os textos reforçaram a ideia de que a aprendizagem significativa com tecnologias móveis depende da interação, da interatividade e da construção ativa do conhecimento. Nesse sentido, entendi que não basta trocar o quadro ou o livro por uma tela. É preciso criar situações em que o estudante participe, questione, produza, compartilhe e relacione o conteúdo com sua própria experiência. Nessa direção, Dusi, Pedrosa e Santos (2024) contribuem ao evidenciar que a aprendizagem docente também se transforma no contato com as tecnologias digitais, exigindo reflexão sobre a prática e reconstrução do saber pedagógico. De forma mais ampla, Wang et al. (2024) reforçam que as transformações educacionais impulsionadas pelas tecnologias digitais estão associadas não apenas à presença dos recursos, mas às mudanças estruturais, metodológicas e culturais que eles demandam.

Para realizar a entrevista, optei por uma abordagem semiestruturada, organizada a partir de quatro perguntas centrais que orientaram todo o roteiro: o conceito de aprendizagem móvel; os tipos de dispositivos e suas potencialidades; a contribuição das tecnologias para autonomia e engajamento; e os caminhos para promover interação e aprendizagem significativa com artefatos tecnológicos. Essa escolha metodológica permitiu manter um foco teórico definido, mas também abriu espaço para que o entrevistado trouxesse exemplos concretos, percepções pessoais e situações do cotidiano.

No meu caso, o entrevistado foi Caio, meu filho, de 8 anos. Essa escolha tornou a atividade ainda mais significativa, porque me permitiu aproximar o debate acadêmico da vivência real de uma criança inserida em contextos de uso de tecnologia para estudar, pesquisar e se comunicar. Além disso, a entrevista foi um momento muito divertido para nós dois, pois transformou uma atividade do doutorado em uma experiência leve, afetiva e, ao mesmo tempo, rica em reflexões. Conversar com ele sobre escola, telas, pesquisas e formas de aprender ajudou a perceber, de maneira muito concreta, como os dispositivos móveis já fazem parte do universo infantil e educacional.

Durante a condução da entrevista, procurei traduzir os conceitos teóricos em uma linguagem acessível, adequada à idade e à experiência do entrevistado. Essa foi uma decisão importante, porque a intenção não era apenas obter respostas, mas compreender como os dispositivos móveis aparecem, de fato, no cotidiano de aprendizagem. A partir das falas de Caio, foi possível identificar situações que dialogam diretamente com a literatura, como a aprendizagem em diferentes espaços, o uso de tablets e celulares para pesquisas escolares, a percepção sobre cansaço nas telas e o interesse maior por práticas mais interativas.

Depois da entrevista, fiz um movimento de análise comparativa entre as respostas obtidas e as ideias centrais dos artigos estudados. Esse processo foi fundamental, porque mostrou que a literatura não está distante da realidade; ao contrário, ela ajuda a interpretar práticas aparentemente simples do dia a dia. Assim, a entrevista não funcionou apenas como um levantamento de opiniões, mas como um recurso para materializar os conceitos discutidos nos textos e evidenciar como a tecnologia pode, ao mesmo tempo, abrir possibilidades e exigir cuidados pedagógicos.

De modo geral, esta atividade me permitiu aprender que os dispositivos móveis podem contribuir muito para o ensino-aprendizagem, desde que sejam compreendidos como instrumentos pedagógicos e não apenas como aparatos tecnológicos. Aprendi também que a inovação não está no dispositivo em si, mas na forma como ele é integrado ao planejamento, à mediação docente e às experiências dos estudantes. A entrevista, por sua vez, foi essencial para tornar essa discussão mais concreta, mostrando que a aprendizagem móvel já faz parte da vida dos sujeitos, mas precisa ser orientada criticamente para produzir sentido educacional.

Link para o vídeo: 
https://youtu.be/Q3z9svWRl6s

Deixem seu like no vídeo e um "Oi" para o Caio... rsrsrrs! 😉😉




 

Bibliografia Básica

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

BERNARDO, J. C. O; KARWOSKI, A. M. A leitura em dispositivos digitais móveis. ETD, Campinas, v. 19, n. 4, p. 795-807, dez. 2017 . Disponível em  <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676- 25922017000500795&lng=pt&nrm=iso>.  acessos  em    22    mar.    2026.

SANTOS, S. L.; STAHL, N. S. P; DA SILVA, M. A. G. T.; SARDINHA, L. C. Dispositivos móveis: um facilitador no processo ensino-aprendizagem. Revista Vértices, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 121–139, 2016. Disponível                                 em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/1809-2667.v18n216- 09.. Acesso em: 22 mar. 2026.

SONEGO, A. H. S; BEHAR, P. A. M-learning: o uso de dispositivos móveis por uma geração conectada. Educação. Porto Alegre, Porto Alegre,  v.  42,  n.  3,  p.  514-524,   set.   2019  .    Disponível  em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981- 25822019000300514&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 23 mar. 2026. Epub 10-Fev- 2020.


Bibliografia Complementar

DUSI, L. L.; PEDROSA, S. M. P. A; SANTOS, S. R. M. Tecnologias digitais e aprendizagem docente:histórias em função de um saber específico. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 74, p. 119–132, 2024.

WANG, C.; CHEN, X.; YU, T.; LIU, Y.; JING, Y. Education reform and change driven by digital technology: a bibliometric study from a global perspectiveHumanities and Social Sciences Communications, [S.l.], v. 11, 2024. DOI: 10.1057/s41599-024-02717-y.

Comentários

  1. Gostei muito de como você não ficou só na defesa geral da aprendizagem móvel, mas trouxe o movimento de comparar as falas do Caio com a literatura, mostrando que a entrevista não foi um enfeite da atividade, e sim uma forma de concretizar os conceitos discutidos nos textos. Também achei muito sensível a escolha de traduzir os conceitos para uma linguagem acessível à idade dele, porque isso mostra cuidado metodológico e não apenas criatividade na execução.

    Só fiquei triste porque o vídeo não está mais disponível, fiquei curiosa pra ver como você materializou tudo isso na prática.

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    1. Obrigado Rute. Inclusive obrigado por avisar que não tá disponível kkkkk. Acabei de corrigir o link. Tenta verificar agora, por favor.

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  2. Excelente escolha, Ricardo! Trazer o Caio para o centro dessa discussão foi uma estratégia brilhante para 'tirar o texto do papel'. Muitas vezes discutimos a infância e a tecnologia de forma abstrata, e ouvir o que uma criança de 8 anos tem a dizer sobre o cansaço das telas e o uso do tablet para pesquisa valida diretamente as preocupações de Bernardo e Karwoski (2017). O seu relato demonstra que a aprendizagem móvel não é um conceito futurista, mas uma realidade que já atravessa nossas relações afetivas e cotidianas. Parabéns pela leveza e pelo rigor teórico!

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